du coeur

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pausa pra resfriar

Coriza, essa pantera!
Diria Augusto que era dos Anjos mas não era nem um santo.
Se o nariz escorre, podia escorrer pra bem longe,
pra bem depois do arco-iris, esquina com o fiofó do mundo.
Feliz era Michael, que não tinha nariz.
Não tomem remédios, só chás variados.
E, é claro, Emplasto Brás-Cubas, para todos os males.

decolagem autorizada

poison_frog

ácaro

acaro

em meio ao pó
e ao pó como meio
está no recheio
e no evacuar

mora no sofá
e no pão de centeio
não só em pardieiro
também no chão a brilhar

aracnobando
irmão de carapaça
rebanho que coça
tangido na fossa
no banho da moça
ainda vai se enxugar

regra única

nunca, mas nunca se derrame tanto.
não é o quanto nem a intensidade do derrame.
mas é trauma do desperdício que incomoda.
recomendo um eletrocéfalodrama.

pinheiros

Quase todo busu e bêbado que sobe, acaba nas Clínicas
Quase todo busu que desce dá no Sumidouro ou enverga na Faria Lima.
Moça bonita passa sempre apressada sonhando com um mundo longe dali.
As nem tão bonitas, um pouco mais devagar.
Só num tem mais acidente porque quase sempre o transito tá embaçado.
E as vezes por conta de um acidente. Tem busu que quebra pela Morato e atravessa
o corredor de bares imbecís da Madalena. Só alguns ainda valem a pena.
Valer a pena mesmo, quase nada vale. E seguimos nessa vivência amontoada.
Tem coisa boa? Tem sim, mas pra contar, eu cobro.

lago

patomotor_blog

manhã de zoo
de pato pra ganso
de anfíbio remanso
de popa motor.

de tanto enjôo
no lago avança
embora tão mansa
banca de predador.

área de entulho

ser a si mesmo deixa:
• um gosto de enxurrada na boca
• verdades urticárias nos olhos .
• no ar um cheiro de solda.
• e as pernas reviradas para a frente.

camping

A mesma escoteira que ensina a
fazer fogo esfregando dois argumentos secos,
ensina a usar bússola sem agulha.

mecânica do após

O Perdão se queixando a Tirania depois de
transarem por séculos seguidos na cama errada.
– Sabe, minha arte é a arte de estar cansado.

a medida de todas as coisas

O doidivanas pergunta:
O que há de errado em doidivar?

O sacripandas pergunta:
O que há de errado em sacripar?

O destemperado pergunta:
o que há de errado em temperar?

Os dois outros perguntam ao destemperado se
o certo não seria destemperar?

O destemperado responde:
Que moral tem um doidivanas e um sacripandas
pra me questionar?

Um andarilho que por ali passava deu de palpitar.
Doidivanem, sacripandem, destemperem,
mas não queiram na cabeça amiga sapatear.

sapateando, troquem todos os verbos por dissimular.

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