balconizando

Novamente de pé apoiado no mesmo balcão na relação de quem-escora-quem. O mesmo copo de cerveja finalmente gelado pelo inverno. As mesmas pessoas da esquina do mundo. O mesmíssimo salgado retorcido fita os fregueses quase que dizendo "me coma pra morrer de azia". Pediu o mesmo lanche imaginando morder a bunda do tempo pra ele seguir adiante. De nada vale apressar relógios, os tempos novos apenas trocam de roupa, o que era de fórmica hoje é de textura instantânea, boato conversa-mole, papo furado tudo ao alcance do clique. e tudo passa depressa pois se o tudo parar pra pensar, nada vale a pena, com alma grande, média ou postiça. A vida, mesmo filtrada pelo amarelo-cerveja-quente, se mostra ali: inteiriça e de muletas.